
Há indivíduos que passam e ficam como se dados e arremessados. Percorrem a vida em um mesmo estalo. São a tirania da ação sobre suas consequências. Ora conquistadores, ora presidiários; os autênticos jogadores.
(...)
Vencer ou perder, ser ou não ter, esperar ou morrer. Resultantes inquebrantáveis e um jogo complexo demais para se malograr. Isento sempre de atalhos. Todo feito em curvas. Todo indivíduo transmuta uma enorme e limitada engenharia de relações. Interpretações contraditórias e múltiplas que por fim se coadunam. Dificilmente percebido movimento de peças.
Todas as matrizes são arbitrárias. Escapam de julgamentos quaisquer - aprofundadas em causas e efeitos. circunstância de nascimento, genética, necessidades, inimigos naturais, tradição, tudo que rodeia disputa aflige exulta o simulacro da personalidade, asilo tacanho. Aceitar, negar, tributar. O divisível nos confronta.
- Sua música é o ruído branco.
Pó de velhos ossos; hoje, enfim, é mero e preponderantemente humano = "Selva de Pedra". A Natureza vez por outra agita e quebranta essa esquizofrenia. É preciso ou recomendável labutar nele, conduzindo o mais possível na mão o desejo e na impossibilidade palpite de esperar boa ocasião.
- Lá podemos controlar instinto? Influir nas malhas de tantos ímpetos? Não é tudo passado do idêntico futuro?
Cegueiras que vale esquecer, meu amigo. E se já não pode esquecer/
- Como já não posso deixar de jogar
/então que se esqueça de tudo!
Podendo declinar ou tentar a fuga.
- No mais é lucidez e senso de oportunidade
E assim ainda falta!
*
Quando abandonei o curso de Letras pelas emoções das cartas, estérico e febril, das especulações terríveis, abandonei a vida de restrições - Odiada! Impossível! - Mergulho de longa torrente de riscos que me colocaram aqui [Em uma ante-sala de um escritório de agiotismo] Com a vida em risco e sem truques. - E por diabos não me chamam logo? Sei que na próxima, na próxima - Eu poderia escolher, dizem. "Fortuna", "azar", "destino", "vontade"; "livre-arbítrio"; punição e recompensa. Palavras que só fazem dilatar minha ansiedade... Sorte no Jogo, sorte... É a minha vez.
Poxa, parabéns...
ResponderExcluirdevo-me a leitura desse livro faz tempo
Vou lê-lo
Depois volto pra reler sua postagem à luz de...
abs
Um texto e tanto, meu caro. Vai fundo no psiquê. E induz à reflexão sobre a complexidade do tema...
ResponderExcluir"O Jogador"... Pensando em Dostoiévski...
ResponderExcluirO jogador foi o primeiro livro que li
do mano russo.muito bom D Ramon! o texto tbm
por momentos poético, se não é até enxerguei
inspirado... é bacanudo sempre te lê! me deixa
com ares de sabido!!
abração de decola
o que sei é que sou dado, um desses que jogam na mesa coberta com veludo azul, até já escrevi sobre isso num fragmento do Ciclo dos Símios, chamado "dados".
ResponderExcluirDom é mais um desses casos de talentos pouco reconhecidos!
mas é isso aí, quem quer ser reconhecido tem que ser cantor pop.
beijo, querido!